Alta no preço do arroz: o que explica aumento nos produtos alimentícios

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O preço dos alimentos básicos brasileiros, aumentou muito nos últimos dias. Em uma ida no mercado de Brasília, por exemplo, o preço do saco de arroz se encontra em até R$ 30.

Pesquisas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicava (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP), constataram que o preço do arroz, alimento essencial da mesa de famílias brasileiras, subiu 120% nos últimos 12 meses. O óleo de soja e o leite também tiveram uma disparada de 24% no valor.

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Grande parte do aumento se deu por conta da pandemia do coronavírus, que está gerando uma crise econômica. Os reflexos se dão no aumento do dólar, no auxílio emergencial, nas exportações e no período de entressafra.

Alta no preço do arroz: o que explica aumento nos produtos alimentícios
Fonte: (Reprodução/Internet)

Inflação aumenta preço dos alimentos básicos

Nesta quarta-feira (9), o Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), divulgou que a inflação de 0,24% do país em agosto, foi causada em maior parte, pelos preços dos alimentos. Ainda, o Índice de Preços para o Consumidor Amplo (IPCA), teve aumento de 2,44% em um ano.

Outro dado que chama atenção, é que a inflação dos alimentos subiu 8,83% em relação ao ano passado. Pedro Kislanov, gerente de pesquisa do IBGE, ressaltou o aumento no prato feito do brasileiro.

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“O arroz acumula alta de 19,25% no ano e o feijão, dependendo do tipo e da região, já tem inflação acima dos 30%. O feijão preto, muito consumido no Rio de Janeiro, acumula alta de 28,92% no ano e o feijão carioca, de 12,12%”, explica o especialista.

Alimentos com preços nas alturas

Confira abaixo alimentos que, conforme análise do G1, tiveram os preços disparados este ano:

  • Cebola: 50,40%;
  • Manga: 61,63%;
  • Limão: 36,56%;
  • Abobrinha: 46,87%;
  • Tainha: 39,99%;
  • Feijão-preto: 28,9%;
  • Leite longa vida: 22,99%;
  • Morango: 31,99%;
  • Arroz: 19,25%;
  • Óleo de soja: 18,63%.

Pandemia, brasileiros estocando comida e auxílio influenciaram

Após o estouro da pandemia do coronavírus, estoques de alimentos essenciais, como o arroz, foram feitos pela população brasileira. Por isso, a indústria viu a necessidade de comprar mais produto, mas os agricultores não cederam fácil à venda no intuito de valorizar o alimento.

Para além disso, o auxílio emergencial fez os preços saltarem. Isso porque, considerando o que o economista da FGV, Daniel Duque apresentou, o benefício derrubou a pobreza extrema de 6,5%, em 2019, para 2,5% em 2020, e fez a população investir mais na compra.

Como forma de aproveitar o ganho dos beneficiários, a indústria alimentícia e produtores resolveram valorizar o preço dos produtos.

Exportação e agronegócio prejudicam o bolso dos brasileiros

Assim como os brasileiros estocaram alimentos, os estrangeiros também o fizeram. As exportações de arroz, aumentaram 98% em comparação ao ano passado, de acordo com o jornalismo do G1. Dessa maneira, a oferta interna também diminui, o que causa diretamente um aumento nos preços.

De acordo com o Ministério da Economia. As exportações do Brasil caíram 6,8% nos últimos 12 meses, enquanto o agronegócio cresceu 3,8% em vendas. Nesse dado, a China compra mais de 30% dos produtos brasileiros.

Alta no preço do arroz: o que explica aumento nos produtos alimentícios
Fonte: (Reprodução/Internet)

No mês de maio, a China comprou mais de 50% da carne bovina do brasileira, segundo a Associação Brasileiro de Frigoríficos (Abrafigo). Isto também explicaria o aumento preço do produto nos últimos dias. A lógica se repete: menos produtos internos, preços mais altos.

Dólar alto fez agricultores preferirem a exportação

A alta do dólar, se deve aos impactos que a pandemia tem causado nos Estados Unidos, país que lidera a quantidade de casos no mundo, à queda do PIB americano e às instabilidades da eleição presidencial americana, que está marcada para 3 de novembro.

O ponto é que os produtores de alimentos preferem exportar o alimento para lucrar mais. Desse modo, a indústria nacional é enfraquecida, logo, não é proveitosa a venda em território nacional. A produção também se torna mais cara pois produtos como fertilizantes são importados com a moeda americana.

Com a queda na oferta interna, as empresas brasileiras tem que gastar mais para que os produtos estejam no país, portanto, o preço aumenta aos consumidores. Mauro Rochlin, economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), explica:

“As commodities têm como referência o dólar. Isso explica não só o preço do arroz, como também dos derivados de soja e outros produtos”, especifica o economista. 

Período de entressafra como vilão natural

Além de todas as condições econômicas que aumentam o custeio de alimentos da indústria agrícola brasileira, a diminuição de áreas de cultivo e a baixa produção geram o aumento de custo.

A área plantada de arroz vem diminuindo. Em 2011/2012 para a safra de 2019/2020, houve uma baixa de mais de 30%. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a valorização do grão deve aumentar a área plantada em até 12,1%, o que significaria aumento de 7,2% na produção.

Redução de imposto para abater o preço

O presidente Jair Bolsonaro disse que a nova safra está prevista para ser colhida em dezembro e janeiro, o que pode normalizar o preço do produto. Ele pediu aos comerciantes que diminuam as margens de lucro para “próximas de zero” e disse que conta com a colaboração da indústria agrícola.

O objetivo em diminuir o imposto de importação é de possibilitar que a indústria interna consiga reabastecer o déficit causado internamente, visto que os produtores locais estão preferindo exportar.

Por fim, a Câmara de Comércio Exterior (Camex), determinou a redução a zero do imposto de importação para o arroz. A última medida tem validade de até 31 de dezembro, data que a nova safra pode vir a ser colhida.

Alta no preço do arroz: o que explica aumento nos produtos alimentícios
Fonte: (Reprodução/Internet)

A Conab ainda estima que o Brasil deve trazer de fora cerca de 10% da quantidade consumida no país.

Não há expectativa de melhora rápida nos preços

Segundo economistas, a esperança de uma melhora rápida não existe. Isto se dá pois, o pais está no período de entressafra dos principais alimentos e a colheita está prevista para o final do ano e início de 2021.

Ainda, o auxílio emergencial foi prorrogado até o fim do ano com parcelas de R$300. De qualquer maneira, mesmo com o valor reduzido, o mercado entende que a população ainda tem condições de pagar mais por um produto alimentício.

André Braz, especialista do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da FGV, prevê que a inflação de alimentos tende a alcançar o aumento entre 8,5% e 9% até dezembro deste ano.

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