Como o Peru se tornou o país com o maior índice de mortalidade por coronavírus

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Com um sistema de saúde em colapso devido a falta de preparação, e ainda com uma taxa alta de pobreza no país, o Peru apresenta o maior número de mortes por coronavírus. São 87,53 óbitos por 100.00 habitantes, estando a frente dos EUA, Brasil e México.

O número se concentra alto porque o país enfrenta uma forte crise econômica, com problemas de saúde pública e baixo investimento nesse setor. O aumento de contágio e o número de óbitos comprovou ainda mais as problemáticas sociais e econômicas que o país enfrenta. 

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O Peru possui 31 milhões de pessoas, sua grande maioria vivendo de trabalho informal, sem receber apoio e segurança financeira. A taxa de pobreza é alta, e com a chegada da Covid-19, a população mais atingida é a mais pobre, a mais dependente do sistema público de saúde. 

Como o Peru se tornou o país com o maior índice de mortalidade por coronavírus
Fonte: Reprodução/Internet

Peru sofre com pouco investimento na rede hospitalar 

Segundo o economista Elmer Cuba, em entrevista a BBC News, comentou que o Peru possui um baixo gasto per capita com saúde devido ao seu nível relativo de desenvolvimento. Logo, esses fatores aumentam as chances de colapso e saturação em momentos de crise mundial.

Com a chegada da Covid-19 no país, o sistema de saúde peruano apresentava somente 100 leitos de terapia intensiva e 3 mil leitos hospitalares, são 31 milhões de habitantes dependentes desse sistema. 

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Com o passar da pandemia, houve um investimento significativo na rede, mas não suficiente, tendo em vista que o número de casos só tem aumentado. No final de junho, havia cerca de 18 mil leitos hospitalares e atualmente apenas 1.660 leitos de UTI para milhões de pessoas. 

Mal preparação no sistema de saúde 

Ainda no início da pandemia, o Peru conseguia manter a estabilidade no número de infecções e mortes, porque foi um dos primeiros países da América do Sul a impor restrições rígidas como fechamento de escolas, fronteiras e quarentena. 

Mas com o passar dos meses, os resultados não foram esperados. Em entrevista a BBC News, o Dr. Ernesto Gozzer, especialista em saúde pública da Universidade Cayetano Heredia, reconheceu que o serviço de saúde prestado a população potencializou os óbitos por Covid-19

Gozzer ainda afirmou que as medidas para salvar os pacientes, só foram tomadas no estágio final da doença, na UTI. Por meio dessa ação, os pacientes de Covid-19 só eram tratados em hospitais ao invés de estarem recebendo, desde a confirmação do exame, os cuidados necessários nos postos de saúde ou nos centros médicos. 

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