Tragédia ambiental no Pantanal: maior período de queimadas desde os anos 90

ANÚNCIO

O Pantanal vive a maior queimada desde os anos 90. O bioma conhecido por sua umidade, está sofrendo pelo período de seca, pelo desmatamento e pela falta de cuidado das pessoas que frequentam a área.

O rio Paraguai, que alimenta o Pantanal, neste ano atingiu o menor nível em quase cinco décadas. A chuva se tornou cada vez menos presente, o desmatamento cada vez mais e a fiscalização preservadora diminuiu.

ANÚNCIO

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), reportou que, os primeiros sete meses deste ano registraram mais queimadas desde o ano de 1998. O Inpe ainda informou que no mês de julho foram apurados 1.684 focos de queimadas.

Tragédia ambiental no Pantanal: maior período de queimadas desde os anos 90
Fonte: (Reprodução/Internet)

O fogo agrava doenças respiratórias

O Pantanal brasileiro fica em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. A população da área tem sofrido consequências sobre os incêndios. Fumaças das queimadas chegaram a invadir as cidades e prejudicar pessoas com problemas respiratórios.

A questão fica muito pior nos tempos atuais, do Covid-19, doença respiratória. Não somente isso, a fauna tem sofrido muito. Diversos animais estão sendo pegos pela chamas.

ANÚNCIO

Marcos Rosa, coordenador técnico do MapBiomas, projeto que monitora os biomas do Brasil, teme que a situação do Pantanal esteja passando por uma mudança radical devido às mudanças do homem:

“E o receio é que isso seja um ‘novo normal’, como consequência das mudanças acumuladas causadas pelo homem, que alteram o ciclo de chuvas, seca e das inundações naturais do Pantanal”.

Período de seca como fator prejudicial

A Marinha do Brasil divulgou que, o nível do rio Paraguai, principal do bioma, chegou a 2,10 metros em junho, sendo que é o mês que, habitualmente, a água deveria estar alcançando o seu pico.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indicou que a marca foi a menor dos últimos 47 anos. Os dados assustam especialistas, visto que o rio costuma atingir 5,6 metros em média.

Comumente, agosto e setembro são meses secos, que causam estiagem. A questão é que o cenário vem se tornando cada vez pior. A Embrapa considera que a quantidade de chuva na Bacia Pantaneira de outubro do ano passado a março deste ano, teve queda de 40% em relação a todos os outros anos.

Nos anos 60, o Pantanal já teve registros de seca intensa, porém a situação normalizou na década seguinte. Recentemente, a Organização Mundial de Meteorologia divulgou um relatório que indica que as chuvas diminuirão na América do Sul até 2024.

Amazônia leva vida para os biomas, porém sofre de desmatamento

O número de desmatamento na Amazônia tem aumentado. A Detecção de Desmatamento em Tempo Real do Inpe já registrou 3.069,57 km² de áreas em risco da prática, o que significa o maior número dos últimos 5 anos.

Tragédia ambiental no Pantanal: maior período de queimadas desde os anos 90
Fonte: (Reprodução/Internet)

A floresta amazônica tem uma enorme importância aos biomas da América do Sul. Vinícius Silgueiro, membro do Instituto Centro de Vida, explica que a Amazônia leva vida à todos os biomas do continente e que, a partir do momento que a região é degradada, o “serviço ambiental” dela é reduzido.

Pantanal é desmatado do tamanho de 4 Brasílias

O Pantanal, assim como todos os outros biomas de seu entorno estão sendo desmatados. Dados do Inpe divulgam que, até o ano passado 16,5% do bioma foi desmatado. Os 24.915 km² explorados resultam em quatro vezes a área de Brasília.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul apurou que, 40% do desmatamento de áreas do Pantanal, tem potencial de ilegalidade, porque nunca foram localizadas as autorizações da lei ambiental.

O MapBiomas levantou que os alertas de desmatamentos no bioma cresceram exponencialmente. No início de 2019, foram registrados riscos em 2.393 hectares. Já entre janeiro e maio deste ano, 11 mil hectares foram comprometidos.

O desmatamento do Cerrado, outro bioma brasileiro, tem afetado o Pantanal. O Cerrado abastece a maior parte do Rio Paraguai que banha o bioma do Mato Grosso. O geógrafo Marcos Reis explica sobre a importância deste ecossistema:

“Quando desmatam alguma Área de Preservação Ambiental nessa região (Cerrado), a chuva vai levar o sedimento para dentro do rio, porque não há mais florestas para proteger a borda. E esse sedimento corre para o Pantanal e começa a assorear a região, deixa os rios mais rasos e muda todo o ciclo hídrico da área”.

15% do Pantanal é pasto

O agronegócio ocasiona o aumento do desmatamento, segundo especialistas. No bioma, produções vastas de gado são coexistentes. O Instituto SOS Pantanal, levantou dados que indicam que 15% da área do Pantanal se tornou pasto.

O geógrafo Marcos Rosa explica que o campo do Pantanal sustenta o pasto, porém novos criadores de gado tem adotado uma medida prejudicial. O profissional especifica que o processo correto seria que, no período de seca, seria a época para plantação de pasto, e na época de chuva, a produção deveria ser tirada, e finaliza:

“O problema é que nos últimos anos, com muitas mudanças no processo de inundação, o pessoal tem aproveitado que as áreas deixam de inundar para plantas pastagens exóticas”.

Para o especialista, a plantação em massa de capins exóticos é prejudicial para a vegetação e para a biodiversidade do bioma. Ainda, outra plantação preocupa os ambientalistas, a de grãos, como a soja, que vem aumentando mais ainda a área desmatada.

Biólogos afirmam que falta de fiscalização é o problema

Após notar o aumento de desmatamento e as poucas medidas de contenção, ativistas como o biólogo André Luiz Siqueira, que também é diretor da ONG ECOA – Ecologia & Ação, têm denunciado às autoridades, mas não notam alguma punição.

Tragédia ambiental no Pantanal: maior período de queimadas desde os anos 90
Fonte: (Reprodução/Internet)

Siqueira afirma sentir falta da fiscalização, que agora não é mais feita por organizações como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

“As unidades de conservação nos Estados do Pantanal estão completamente desaparelhadas. Nós, do terceiro setor, estamos tendo que ajudar as brigadas de incêndio, o Prevfogo e os Bombeiros da região no combate aos incêndios”, desabafa o biólogo.

Fogo no Pantanal é causado por humanos

O Inpe já registrou, nos sete primeiros meses do ano, mais de 4.218 focos de incêndio no Pantanal. Em 2019, no mesmo período, foram 1.475 registros. Desde o início das pesquisas do instituto, o maior registro fora em 2009, com 2.527 focos de queimadas.

Felipe Augusto Dias, diretor-executivo do Instituto SOS Pantanal, considerou as principais causas dos incêndios por descuidos, como em deixar uma fogueira mal apagada, o tempo seco que ajuda na propagação do fogo e o uso cultural do fogo na região, que ao ser apagado superficialmente, gera incêndios gigantes.

Já o biólogo André Luiz Siqueira acredita que o fogo é causado pelo homem. “O fogo natural acontece por causa de raios, sempre associado ao período de chuvas. Como não tem chovido, então é claro que o homem é o grande causador disso”.

ANÚNCIO