A mulher entrou em pânico, sua voz tremendo enquanto ela implorava. "Espere! Por favor! Não foi ideia minha! Me pagaram para fazer isso!"
Karina parou. "Quem?"
A mulher hesitou, então sussurrou, "Foi... Eunice."
O coração de Karina ficou gelado. Claro que era ela. A vingança de Eunice veio rapidamente, e ela nem tinha como alvo Karina diretamente - ela foi atrás de Catarino, um menino de apenas catorze anos, preso no seu mundo.
"Saia," Karina disse friamente.
A mulher saiu apressada do quarto, quase tropeçando para escapar.

Karina virou-se para Catarino, que permanecia em silêncio, alheio ao caos. Ela se agachou na frente dele, sua voz suavizando. "Catarino, vamos te limpar, ok?"
Como sempre, Catarino não respondeu. Mas quando Karina segurou sua mão, ele apertou firme.
Seu fôlego parou. "Catarino," ela sussurrou, sua voz tremendo de esperança. "Você está segurando minha mão? Você me reconhece?"
Ele permaneceu em silêncio, mas o pequeno gesto fez lágrimas brotarem em seus olhos. Foi o primeiro sinal de conexão em anos.
Depois de limpar e trocar suas roupas, ela o alimentou novamente. Desta vez, Catarino comeu em silêncio, sua mão livre segurando a manga dela. Seu medo era palpável, e o coração de Karina doía enquanto murmurava: "Não tenha medo. Eu vou te proteger."
Antes de sair, ela denunciou a enfermeira abusiva à administração. Pessoas como ela não tinham lugar em uma instalação destinada a cuidar dos vulneráveis.
Karina não perdeu tempo indo para a mansão da família Costa. Ela era uma tempestade de fúria, sua mente acelerada com pensamentos da crueldade de Eunice.
Quando chegou, a noite já havia caído. Os funcionários hesitaram quando ela invadiu a porta, mas ninguém ousou detê-la.
Karina avançou diretamente para a cozinha, pegou um jarro de água e irrompeu na sala de estar, justo quando Eunice e Vitória desciam a escada. Elas riam e conversavam como se não tivessem preocupações no mundo.
Sem dizer uma palavra, Karina jogou o conteúdo do jarro nelas.
Eunice gritou, e Vitória recuou, encharcada e ofegante. "Karina, você está louca?"
A voz de Karina tremia de raiva. "Louca? Isso é só água. E quanto à sopa escaldante que você mandou jogar em Catarino? E deixá-lo encharcado de urina?"
Eunice empurrou Vitória de lado, sua expressão escurecendo. "Vitória, vá se trocar. Você tem um compromisso para se preparar."
Vitória hesitou, depois corou para cima, deixando Eunice sozinha para enfrentar Karina.
Eunice sorriu, sua voz escorrendo desdém. "Sim, subornei a enfermeira. Você nos humilhou ao recusar Francisco. Acha que não haveria consequências? E agora você tem dinheiro, né? Vendeu seu corpo de novo, foi? Pelo menos seja útil para esta família se for ser uma vergonha."
A mão de Karina se estendeu, atingindo Eunice tão forte que o som ecoou pela sala.
"Essa boca suja precisa parar de vomitar imundície," rosnou Karina.
Eunice avançou sobre ela, mas Karina foi mais rápida. Ela imobilizou Eunice no chão, seus punhos desabando enquanto anos de raiva reprimida transbordavam.
"Acha que ainda sou uma criança com medo de você?" Karina gritou. "Esses dias acabaram. Toque em Catarino de novo, e eu me certificarei de que você se arrependa pelo resto da sua vida."
Eunice gritou por ajuda, sua voz frenética.
Lucas entrou, atraído pela comoção. Ele arrancou Karina de cima de Eunice e a empurrou para o chão.
"Karina, você perdeu a cabeça? Ela é mais velha que você!"
Karina o encarou, sua voz gelada. "Você nos traiu, vendeu sua filha e deixou essa mulher torturar seu filho. Não fale comigo sobre respeito."
Lágrimas escorrendo pelo rosto, ela se virou e saiu correndo da mansão.
Um carro preto elegante passou voando enquanto Karina saía dos portões. Ela parou, a respiração presa ao reconhecer.
"Esse carro..." ela murmurou, virando-se para vê-lo desaparecer na estrada. "Por que parece tão familiar?"
Sua mente corria, mas ela não tinha tempo para refletir sobre isso. Ela tinha batalhas para travar - e não tinha intenção de recuar.






