Karina endureceu, seu corpo congelado de terror.
“Queres tomar banho juntos?” ele perguntou, seu tom quase brincalhão. “Ou devo te carregar?”
“Não!” ela soltou, o pânico brilhando em seus olhos. “Não precisa. Vai tu primeiro.”
O homem riu, confundindo o medo dela com timidez. “Está bem, eu vou primeiro.” Ele beliscou levemente a bochecha dela antes de sair da cama, seu corpo largo desaparecendo no banheiro.

Assim que a porta do banheiro clicou e o leve zumbido da água encheu o ar, Karina agiu. Ignorando a dor lancinante em seu corpo, ela se levantou da cama e pegou suas roupas, que estavam espalhadas desajeitadamente pelo chão. Cada movimento enviava ondas de agonia por seu corpo, mas ela cerrava os dentes e se vestia o mais rápido que podia.
Ela saiu do quarto assim que terminou de se vestir, sua respiração entrecortada a cada passo.
Fora do hotel, seu celular tocou. Ela atendeu, sua voz trêmula.
“Feito. Fiz o que pediu,” ela disse friamente. “Agora, sobre o tratamento de meu irmão—”
“Menina insolente!” sua madrasta, Eunice Rocha, gritou do outro lado. “Onde você esteve a noite toda? Você deveria substituir a Vitória e ficar com o Sr. Francisco! Como ousa desaparecer? E ainda tem a impertinência de pedir dinheiro?”
Os lábios de Karina se curvaram em um sorriso amargo. “Quando saí, o Sr. Francisco estava tomando banho. Vai desistir do acordo?”
“Asneira!” Eunice bradou. “Volte aqui agora! Se você irritar o Sr. Francisco, quem pagará a dívida?”
A ligação terminou abruptamente, deixando Karina atônita. Não era a fúria de Eunice que a perturbava, mas as implicações de suas palavras.
“Se aquele não era o Sr. Francisco,” Karina sussurrou para si mesma, o estômago afundando, “então quem era o homem de ontem à noite?”
No hotel, Julio entrou na suíte, puxando as pesadas cortinas para deixar a luz da manhã adentrar. A suave luz pálida do amanhecer iluminou o luxuoso quarto, lançando longas sombras sobre a cama amarrotada.
O som da água corrente do chuveiro cessou abruptamente. Momentos depois, Ademir Barbosa saiu do banheiro, uma toalha pendurada em seus quadris. Seu corpo atlético e esguio brilhava com gotas de água, seus largos ombros se estreitando em um torso esculpido. Seus olhos escuros e penetrantes vasculharam o quarto enquanto ele passava a mão pelo seu cabelo úmido, sua expressão mudando de preguiça satisfeita para uma curiosidade franzida.
“Onde está a garota?” Ademir perguntou, seu tom calmo, mas pontuado de irritação.
Julio congelou momentaneamente, então sacudiu a cabeça. “Ela não estava aqui quando cheguei.”
O olhar de Ademir deslizou para a cama, onde os lençóis amassados ostentavam vestígios do que havia ocorrido. Um leve sorriso puxou o canto de sua boca, mais divertido do que irritado.
“Ela fugiu,” ele murmurou, sua voz uma mistura de intrigante e irritação. “Eu não disse para ela esperar? Coisa desobediente.”
Ele riu suavemente, embora seus olhos estreitos traíssem seus pensamentos. Mulheres muitas vezes haviam sido enviadas para sua cama, algumas voluntariamente, outras coagidas, mas nenhuma ousara escapar depois. Essa, no entanto, havia feito exatamente isso.
A mente de Ademir voltou-se para a noite anterior. Alguém o havia drogado com um afrodisíaco, e ela estava lá quando seu controle deslizou. Seria a influência da droga que a tornava inesquecível, ou havia algo genuinamente único nela?
“Julio,” Ademir disse, sua voz firme, “descubra o que aconteceu na noite passada. E a encontre. Quero o nome dela, seu rosto, tudo.”
Karina irrompeu em sua casa, ofegante enquanto lutava para recuperar o fôlego. Na sala de estar, um homem de meia-idade e cabeça calva estava sentado, furioso, encarando Vitória.
“Garota ingrata!” Francisco rosnou, sua voz alta o suficiente para fazer tremer as paredes. “Prometi te casar e você se atreve a me enganar e me fazer esperar a noite toda?”
Vitória permaneceu em silêncio, seu rosto pálido, mas composto. Ela sabia que não era prudente discutir com Francisco, um homem que usava promessas de casamento para manipular e humilhar as mulheres. O interesse de Francisco por Vitória fora um golpe de má sorte, mas seus pais haviam decidido enviar Karina em seu lugar.
O retorno repentino de Karina fez todos pararem. Francisco virou-se, a boca abrindo-se ligeiramente enquanto seus olhos a percorriam.
“De onde ela veio?” ele murmurou, quase para si mesmo.






