Depois do Divórcio: Um Toque do Destino

Um alívio tomou conta de Karina, sua voz falhando ligeiramente. 'Eu preciso da sua ajuda.'

Otávio não hesitou. 'Venha para a mansão Barbosa. Estarei esperando.'

Karina encerrou rapidamente a ligação, suas mãos agarrando o colar de pedras preciosas como se contivesse o espírito de sua mãe. Ela o colocou na mochila e se moveu rapidamente. Pegando lençóis de seu guarda-roupa, os amarrou com mãos ágeis e fixou a corda improvisada na janela.

Depois do Divórcio: Um Toque do Destino

Seu coração batia forte enquanto ela descia. A queda do segundo andar não era grande, mas cada rangido dos lençóis fazia seus músculos se tensionarem. Uma vez que seus pés tocaram o chão, ela disparou pelo jardim, respirando ofegante.

O endereço da mansão estava claro em sua mente. Ela correu, ignorando a dor nos pés e a dor nas pernas, impulsionada pela esperança de que esta fosse sua fuga.

Na mansão da família Barbosa, Julio entrou no espaçoso escritório e limpou a garganta. 'Mano, tio Denis ligou. Ele quer saber se você estará em casa esta noite.'

Ademir Barbosa estava sentado perto da janela, seu perfil afiado banhado pelo sol. Ele não respondeu imediatamente, seu olhar fixo na vista expansiva lá fora.

'Eu irei,' disse Ademir finalmente, com a voz cortante.

Julio hesitou antes de continuar, 'Sobre a investigação... Ainda estamos juntando as peças. Alguém colocou algo na sua bebida ontem à noite. A garota foi forçada a isso—claramente contra a vontade dela.'

A mandíbula de Ademir se contraiu, mas sua voz permaneceu firme. 'E a garota?'

'Ela é uma artista. As câmeras a flagraram entrando e saindo do hotel, mas as imagens são muito granuladas para confirmar muita coisa. Ela provavelmente foi para o quarto de Francisco. O nome dela é Vitória.'

Julio entregou o celular para Ademir e mostrou uma foto a ele. A mulher na imagem parecia dócil e assustada. Ela era atraente, sim, mas algo nela parecia estranho.

Os lábios de Ademir se curvaram em um leve sorriso. 'Vitória, huh? Interessante.'

A saúde de seu avô vinha declinando, e a obsessão do homem mais velho em ver Ademir casado pesava sobre ele. Talvez essa mulher, humilde e intocada pela alta sociedade, pudesse cumprir o papel que seu avô desejava desesperadamente.

'Prepare o carro,' disse Ademir. 'Estamos indo visitar a família Costa.'

O caos consumia a casa da família Costa.

Francisco, vermelho e furioso, segurava Vitória pelo pulso e a arrastava em direção à porta. 'Se eu não posso ter a Karina, você servirá!'

Os gritos de Vitória ecoaram pela sala. 'Não! Por favor, não! Alguém me ajude!'

Eunice avançou para impedir Francisco, mas foi rapidamente chutada de lado. Ela se curvou ao chão, segurando as costelas.

Lucas permaneceu congelado, incapaz de intervir. Sua covardia apenas alimentava a raiva de Francisco.

De repente, o som de pneus chiando atravessou a comoção. Um carro preto e elegante parou do lado de fora do portão.

Ademir Barbosa saiu. Seu terno impecável e afiado era impecável, e sua presença era imponente. Ele se dirigiu à cena com uma graça natural que chamava a atenção.

Francisco congelou no meio do passo, sua mão afrouxando em Vitória. O reconhecimento iluminou seu rosto, rapidamente seguido pelo medo.

'Senhor Ademir...,' gaguejou Francisco, tentando um sorriso fraco. 'O que o traz aqui?'

Os olhos de Ademir não vacilaram. Eles estavam fixos em Vitória, que tremia e tinha lágrimas no rosto. Algo primal e protetor se agitou dentro dele, e sua expressão escureceu.

Sem aviso, a mão de Ademir disparou. O tapa foi rápido e brutal, fazendo Francisco tombar no chão.

Francisco gemeu, sua mão voando para o rosto enquanto sangue escorria de sua boca. Um dente jazia no chão ao lado dele.

'Como você se atreve a tocar no que me pertence?' A voz de Ademir era perigosamente calma, cada palavra afiada como uma lâmina.

Francisco se arrastou para trás, sua bravata desmoronando. 'Senhor Ademir, eu não sabia que ela era sua! Eu não a toquei, juro!'

Ademir o ignorou e se virou para Vitória. Sua expressão se suavizou, sua mão afagando gentilmente sua bochecha encharcada de lágrimas.

'Por que está chorando?' Sua voz era baixa, quase terna. 'Enquanto eu estiver aqui, ninguém irá te machucar.'

Os olhos arregalados de Vitória encontraram os dele, confusão e descrença girando dentro deles. 'Você... me conhece?'

Os lábios de Ademir se curvaram em um leve sorriso. 'Ontem à noite. Quarto 7203 no Hotel Dynasty. Eu e você—entendeu?'

As palavras atingiram Vitória como um trovão. Seu coração disparou. Ontem à noite? O hotel? Ele?

Seus pais olhavam, igualmente atônitos. Agora era claro. Karina havia acabado no quarto desse homem na noite anterior, e ele havia confundido Vitória com ela.

Ademir se endireitou, seu tom voltando a ser autoritário. 'Preparem-se. Vitória será minha esposa. Os preparativos do casamento começarão imediatamente.'

O ambiente silenciou. O coração de Vitória deu um salto. Casamento? Com ele?

Ademir inclinou a cabeça. 'Qual é a hesitação? Você não quer isso?'

Vitória engoliu o choque e concordou rapidamente, baixando os olhos em falsa humildade. 'Eu quero. Eu quero isso.'

Satisfeito, Ademir deu um pequeno aceno. 'Ótimo. Fique aqui. Eu vou cuidar de tudo.'

Enquanto ele se afastava, a mente de Vitória girava. Esta era sua chance. Ela não sabia quanto tempo a farsa duraria, mas faria o melhor dela.

Enquanto isso, Karina se apressava em direção à mansão Barbosa, sem saber da teia de decepções se fechando às suas costas. Seu coração carregava esperança, mas o destino parecia determinado a brincar com cada passo dela.

Nos Barbosa, Otávio colocou gentilmente o colar de pedras preciosas de volta em sua caixa ornamentada e o deslizou em direção a Karina.

'Mantenha-o seguro,' ele disse com firmeza. 'Sempre foi destinado a ser seu.'

Karina hesitou, seus dedos roçando a borda da caixa. 'Sim... Sr. Otávio.'

Otávio suspirou profundamente, seu rosto envelhecido suavizando. 'Você ainda me chama de Sr. Otávio? Anos atrás, sua mãe salvou minha vida. Eu lhe dei este colar e prometi a ela que meu neto se casaria com sua filha. Todos esses anos, eu a procurei, sem saber que ela havia partido. É o destino que você tenha encontrado seu caminho até aqui. Você se tornou uma jovem mulher exemplar, e é hora de cumprir essa promessa. Me chame de avô, não é?'

Karina baixou o olhar, incapaz de dizer a palavra. Antes de sua mãe partir, ela havia contado a Karina sobre o noivado prometido, mas a advertiu para não levar a sério. Sua mãe nunca quis que a gratidão se tornasse um fardo para sua filha.

Karina veio aqui hoje para pedir ajuda. As economias de sua mãe, Otávio, lhe deram coragem para pedir um empréstimo para o tratamento de seu irmão. Se não fosse pela condição de Catarino, ela nunca teria se aproximado da família Barbosa.

Lucas Marani
Sou Lucas Marani, editor-chefe do IGEC.com.br. Aqui, escrevo sobre tudo o que move o dia a dia das pessoas: carreiras, concursos, empreendedorismo, tecnologia, receitas, dicas para casa, musculação, fofocas, apps, cartões e até os “Top 10” que ninguém resiste. Com mais de 10 anos no mundo do conteúdo digital, tenho como missão traduzir assuntos complexos de forma leve, útil e direta ao ponto. No IGEC, você encontra informação com propósito — e uma pitada de curiosidade para transformar seu tempo online em algo que vale a pena.

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