Depois do Divórcio: Um Toque do Destino

Sua mandíbula se contraiu. 'Ela não perdeu tempo, não é mesmo?'

Júlio olhou para ele nervosamente. 'Ela não é o que você pensa -'

'Pare com isso', Ademir interrompeu, descartando o pensamento. 'Isso é apenas uma transação. Nada mais.'

Mas em algum lugar lá no fundo, algo sobre a tranquila desafiança de Karina permanecia em sua mente.

Os gritos altos e teatrais de Eunice ecoaram pela sala de hospital. 'Oh, minha pobre filha! Cancelar o casamento dela é como matá-la!'

'Mãe, pare', disse Vitória fracamente, seu rosto pálido marcado por lágrimas. 'O Sr. Ademir já se casou com outra pessoa. Não tive a sorte de ser a escolhida.' Ela fungou, sua voz tremendo. 'Mas obrigada por vir me ver, Sr. Ademir.'

Ademir se enrijeceu, sua paciência diminuindo. Ele tinha pouca tolerância para lágrimas, mas Vitória fora sua primeira escolha, e a culpa o compelira a mostrar restrição.

'Vitória,' ele disse firmemente, 'casar com ela era necessário. Não há amor entre nós, e o divórcio é inevitável. Vou manter minhas promessas, mas preciso que você espere.'

Os olhos de Vitória, cheios de lágrimas, se arregalaram. 'Mesmo?'

Sempre oportunista, Eunice interveio. 'Você não está mentindo, está, Sr. Ademir? O futuro de minha filha está em jogo!'

O olhar de Ademir se tornou penetrante. 'Você está questionando minha palavra?'

Eunice vacilou sob seu olhar, mas Vitória, desesperada para acalmar a tensão, agarrou sua manga e chorou, 'Eu acredito em você! Vou esperar o tempo que for necessário.'

A expressão endurecida de Ademir se suavizou ligeiramente. 'Ótimo. Descanse e não se preocupe com pensamentos negativos.'

'Sim, Sr. Ademir', murmurou Vitória obedientemente.

Satisfeito por tê-la acalmado, Ademir deixou a sala do hospital. Mas enquanto passeava pelo saguão, seus olhos afiados avistaram uma figura familiar.

Karina.

Ela não estava na Mansão Mission Hills como deveria. Em vez disso, estava entrando em um consultório médico. O olhar de Ademir subiu para a placa acima da porta: Ginecologia.

Suas sobrancelhas se franziram em suspeita, e sem dizer uma palavra, ele decidiu esperar do lado de fora.

Meia hora depois, Karina saiu, seu rosto pálido, seus passos instáveis. Ela se apoiou na parede, apenas para congelar quando o viu.

'Ademir? O que você está fazendo aqui?'

Seus olhos frios se fixaram nos dela. 'A melhor pergunta é, o que você está fazendo aqui?'

'Isso não é da sua conta', respondeu Karina, sua voz mal firme. Ela desviou o olhar, evitando seu olhar penetrante.

A porta atrás dela se abriu, e uma enfermeira saiu, segurando um arquivo. 'Karina, você esqueceu seus prontuários médicos!'

'Ah, obrigada', Karina se apressou, estendendo a mão para o arquivo.

Mas Ademir foi mais rápido. Ele o pegou antes que ela pudesse reagir, sua altura a impedindo de recuperá-lo.

'Devolve isso!', exclamou Karina, sua voz subindo em pânico. 'Não leia!'

'Eu vou ler', retrucou Ademir, abrindo o arquivo apesar de seus protestos desesperados.

O coração de Karina afundou ao ver sua expressão mudar de confusão para descrença e, em seguida, raiva.

'Você - que tipo de ferida vergonhosa é essa?', exigiu ele, sua voz baixa mas venenosa.

Karina fechou os olhos, seu rosto drenado de cor.

Incapaz de ficar em silêncio, a enfermeira interveio, com um tom ríspido. 'Você é namorado dela e não sabe? Deveria estar envergonhado. Ela tem lacerações de terceiro grau e precisou de vários pontos! Você não a valoriza - apenas seu prazer.' Ela lhe lançou um olhar de desprezo antes de murmurar, 'Sem experiência, não tente realizar movimentos difíceis.'

Palavras atingiram Ademir como um tapa. Lacerações? Pontos? Movimentos difíceis?

Sua mente acelerou. As implicações eram claras, mas seu temperamento se inflamou, e ele pulou para a pior conclusão. 'Karina', ele sibilou, sua voz transbordando de desdém, 'chamar você de desavergonhada mal começa a cobrir.'

Karina abriu a boca para responder, mas ele agarrou seu braço, seu aperto firme e implacável. 'Vamos ver o vovô. Ele merece saber exatamente que tipo de mulher você é!'

Ademir empurrou Karina para o quarto de Otávio, sua fúria palpável. Karina tropeçou para a frente, quase perdendo o equilíbrio.

Otávio, apoiado na cama, olhou para cima, confuso com a entrada abrupta deles. O médico acabara de terminar um exame e se dirigiu a Ademir.

'Sr. Ademir, seu avô está estável por agora, mas está fraco. Ele precisa de descanso e, mais importante, de nenhum choque emocional.'

O médico saiu, deixando um silêncio tenso no quarto.

Otávio sorriu fracamente. 'Ademir, Karina, por que vocês estão aqui? Vocês acabaram de se casar. Não deveriam estar aproveitando a lua de mel?'

'Sr. Otávio, eu -' Karina começou, sua voz tremendo.

Lucas Marani
Sou Lucas Marani, editor-chefe do IGEC.com.br. Aqui, escrevo sobre tudo o que move o dia a dia das pessoas: carreiras, concursos, empreendedorismo, tecnologia, receitas, dicas para casa, musculação, fofocas, apps, cartões e até os “Top 10” que ninguém resiste. Com mais de 10 anos no mundo do conteúdo digital, tenho como missão traduzir assuntos complexos de forma leve, útil e direta ao ponto. No IGEC, você encontra informação com propósito — e uma pitada de curiosidade para transformar seu tempo online em algo que vale a pena.

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