A beleza natural de Karina era impressionante. Seu rosto, sem qualquer maquiagem, irradiava uma elegância rara e clássica. Sua pele luminosa, maçãs do rosto altas e lábios cheios eram de tirar o fôlego, e seus olhos em forma de amêndoa exibiam uma quietude desafiadora que só aumentava seu charme.
O olhar de Francisco demorou, sua raiva momentaneamente substituída pela fascinação.
“Quem é você?” ele perguntou, seu tom suavizando à medida que seu interesse aumentava.
O coração de Karina afundou. Ela já sabia a resposta para suas perguntas. O homem diante dela - o calvo e acima do peso Francisco - era o verdadeiro alvo da noite anterior. E ela se sacrificara pelo homem errado.
Eunice se apressou, sua voz açucarada e servil. “Sr. Francisco, esta é minha filha mais nova, Karina. Não é deslumbrante? Não há uma mulher em toda a Cidade J que possa se comparar à sua beleza!”
Os olhos de Francisco brilharam, e ele concordou aprobativamente. “Muito bom. Muito, muito bom.”
Eunice sorriu, encorajada. “Sr. Francisco, Karina é solteira. Ela é a escolha perfeita para ser sua esposa!”
O sorriso de Francisco se alargou. “Ela me serve perfeitamente. Mas primeiro... eu quero testá-la. Irei buscá-la esta noite.” Ele virou seu olhar para Karina, seus olhos cheios de intenção descarada. “Certifique-se de que ela não fuja desta vez.”
Eunice inclinou a cabeça ansiosamente. “Não haverá erros, eu prometo.”
Assim que Francisco saiu, Karina se virou para seu pai, sua voz tremendo de raiva. “Você está me vendendo de novo?”
Lucas abriu a boca para responder, mas Eunice o interrompeu, sua voz fria e afiada. “Vender? Nós te alimentamos e vestimos todos esses anos. É justo que você ajude sua família agora. Quer que fiquemos falidos?”
Vitória deu um passo à frente, segurando Karina pelo braço. “Não complique as coisas, Karina. Pense em Catarino. Você vai abandoná-lo? Se o tratamento dele parar, o que acontecerá com ele?”
A menção ao seu irmão atingiu como uma facada. A determinação de Karina desmoronou, e lágrimas surgiram em seus olhos. Ela mordeu o lábio, engolindo o soluço que ameaçava escapar.
“Está bem,” ela disse baixinho, sua voz oca. “Eu irei.”
Vitória a levou para cima, empurrando-a para um quarto antes de trancar a porta. Karina bateu na porta, raiva e desespero correndo por ela. Mas não havia saída.
Desabando no chão, pressionou o rosto em suas mãos trêmulas. Sua mente vagou para o passado, para o caloroso sorriso de sua mãe e voz gentil.
“Mamãe,” ela sussurrou, lágrimas escorrendo por suas bochechas. “O que devo fazer?”
Seus pensamentos se voltaram para a morte de sua mãe quando ela era apenas uma criança. Na sequência, seu pai substituiu sua mãe por Eunice e trouxe Vitória para suas vidas. Naquele dia, Karina não perdeu apenas sua mãe, mas também seu pai.
De repente, uma lembrança surgiu. Karina se levantou às pressas, seu coração batendo rápido enquanto revirava as gavetas de seu quarto. Ela encontrou uma pequena caixa empoeirada escondida no fundo do armário. Suas mãos tremiam ao abri-la, revelando um colar reluzente adornado com pedras preciosas. Abaixo dele, havia um pedaço de papel dobrado com uma sequência de números rabiscada.
Segurando o colar firmemente, Karina sussurrou, “Mamãe, não tenho escolha. Por favor, me perdoe.”
Os dedos de Karina tremeram ao discar o número. Sua mente estava cheia de dúvidas. Depois de todos esses anos, este número poderia conectá-la à linha de vida que ela desesperadamente precisava?
Para sua surpresa, a chamada se conectou. Uma voz profunda, ligeiramente envelhecida, respondeu, cautelosa porém curiosa.
“Alô? Quem está falando?”
Respirando fundo, ela se recompôs e falou suavemente, “Olá, é o Sr. Otávio Barbosa? Você se lembra da Heloísa? Sou sua filha.”
Do outro lado, houve um momento de silêncio, seguido de uma expiração lenta de reconhecimento. “Filha da Heloísa... O que você precisa?”






