Depois do Divórcio: Um Toque do Destino

O mesmo dia, Karina voltou para seu dormitório na Universidade J. Ela dizia a si mesma que não adiantava ficar remoendo— aquilo era apenas um negócio, nada mais. Mas mesmo deitada na cama, sua mente se recusava a se aquietar. A memória do desdém de Ademir a assombrava, assim como seu passado.

No dia seguinte, ela recebeu uma ligação de Júlio.

“Senhorita Karina,” ele começou, com cuidado, “você pode vir ao cartório na próxima quarta-feira para finalizar o divórcio?”

“Sim, estarei lá,” ela respondeu em voz baixa.

Após desligar, Karina sentiu um estranho alívio. O arranjo estava terminando mais cedo do que o esperado. Ela deveria se sentir livre, mas o peso em seu peito persistia.

Naquela noite, ela encontrou seus amigos de infância, Patrícia e Simão, no Restaurante Oceano. Suas brincadeiras animadas trouxeram um breve senso de normalidade.

“Karina!” exclamou Simão, sorrindo quando ela chegou. “Por que demorou tanto? Já pedimos comida suficiente para alimentar um exército!”

Karina sorriu fracamente, grata pela descontração deles. Por um momento, ela conseguiu esquecer o caos em que sua vida se transformara.

Mas a menção de seu ex, Túlio, trouxe um arrepio indesejado.

“Ele está voltando,” disse Simão cautelosamente.

Karina ficou rígida. O nome ao qual ela se esforçara tanto para apagar de sua memória ressurgiu como um fantasma.

“Eu não vou,” ela disse firmemente, seu tom não deixando margem para argumentos.

Simão suspirou, mas Patrícia rapidamente mudou de assunto, levando a conversa de volta para o riso.

Karina se agarrou ao pequeno consolo que seus amigos forneciam, sabendo que suas batalhas estavam longe de acabar.

O fim de semana de Karina começou com uma viagem de ônibus para o Lar de Idosos Castelo Verde, onde seu irmão, Catarino, residia. Ela levava pequenos presentes toda semana e se sentava ao lado dele, mesmo que ele raramente respondesse à sua presença. Seu mundo silencioso havia sido sua âncora por anos, mesmo enquanto sua vida se desdobrava em caos.

No meio do caminho, seu telefone vibrou com uma notificação do WhatsApp. Uma nova solicitação de amizade apareceu de um nome desconhecido. Ela franziu a testa, ignorou e guardou o telefone.

Quando Karina chegou, ela caminhou pelos corredores familiares carregando a sacola de presentes que havia trazido. O leve cheiro esterilizado do lar de idosos sempre pairava, mas naquele dia algo parecia estar errado.

Uma voz alta e estridente ecoou de um dos quartos, pontuada por algo quebrando.

“Chore, seu inútil! Vamos, chore!”

O coração de Karina congelou, seu sangue fervendo à medida que a voz ficava mais alta.

“Idiota! Você nem consegue chorar quando é agredido! Para que serve, seu monstro?”

A risada cruel que se seguiu foi a gota d'água. Karina avançou determinada em direção ao quarto, silenciosa mas decidida.

Dentro, Catarino estava sentado encurvado em uma cadeira, seu corpo magro envolto em roupas sujas. Sopa escorria de seu cabelo, obscurecendo seu rosto, e suas calças estavam encharcadas. Uma mulher de meia-idade estava diante dele, apontando uma colher de sopa gelada em direção à sua boca.

“Coma, moleque inútil! Você é pior que um cachorro!”

Antes que a mulher pudesse reagir, Karina pegou um punhado de seu cabelo e puxou com força.

A mulher gritou, sua voz ecoando pelo corredor. “Quem é você? Solte meu cabelo!”

A voz de Karina tremia de fúria, suas mãos apertando o cabelo da mulher. “Quem é dona? Você não passa de uma cadela nojenta. Como se atreve a tocar nele? Acha que toda a família dele está morta?”

“Pare, isso dói!” a mulher chorou, debatendo-se sob o aperto de Karina. “Eu não farei de novo! Por favor!”

Karina a soltou com um empurrão, fazendo a mulher tombar no chão. Ela agarrou a tigela de sopa, encheu a colher e a enfiou na boca da mulher.

“Você não gostou de forçar alguém a comer? Então coma você mesma!” rosnou Karina, seus olhos faiscando.

A colher de metal raspou nos dentes da mulher enquanto a mesma tossia e se engasgava. Ela levantou as mãos em rendição, mas Karina não havia terminado.

Um estalo nítido ecoou pela sala quando Karina a estapeou com força no rosto.

“Isso foi satisfatório? É assim que você bate no meu irmão? Deixe-me mostrar como é!”

Outra bofetada. Depois outra.

No momento em que Karina arrastou a mulher para ficar de pé, seu rosto estava inchado e vermelho.

“Vamos,

Lucas Marani
Sou Lucas Marani, editor-chefe do IGEC.com.br. Aqui, escrevo sobre tudo o que move o dia a dia das pessoas: carreiras, concursos, empreendedorismo, tecnologia, receitas, dicas para casa, musculação, fofocas, apps, cartões e até os “Top 10” que ninguém resiste. Com mais de 10 anos no mundo do conteúdo digital, tenho como missão traduzir assuntos complexos de forma leve, útil e direta ao ponto. No IGEC, você encontra informação com propósito — e uma pitada de curiosidade para transformar seu tempo online em algo que vale a pena.

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