"Sr. Otávio," ela começou cautelosamente, "Eu vim aqui para - "
Passos ecoaram no corredor amplo, interrompendo-a.
Os olhos de Otávio se iluminaram. "Ademir está de volta!"
Instantes depois, Ademir Barbosa entrou, seus passos confiantes, sua presença magnética. A luz do lustre lançava um brilho sobre sua alta estatura e traços afiados e elegantes. Seu terno nítido acentuava a aura comandante que ele carregava com facilidade.
"Vovô, voltei para jantar com você," ele disse, sua voz calorosa.
Mas então seu olhar pousou em Karina e ele parou no meio do caminho. Sua expressão endureceu.
Lá estava ela - uma jovem esbelta com pele de porcelana, traços delicados e uma presença discreta na grandiosidade da mansão. Ela se levantou timidamente, oferecendo um pequeno aceno. "Olá."
Otávio sorriu. "Ademir, esta é sua noiva, Karina. Prepare-se para recebê-la em sua casa."
As sobrancelhas de Ademir se franziram. Seu bom humor desapareceu, substituído por uma frieza indiferente.
"Noiva?" ele ecoou, sua voz cortante.
Otávio assentiu orgulhosamente. "Sim, é hora de cumprir a promessa."
O maxilar de Ademir se contraiu. Ele não era estranho aos planos de seu avô, mas aquilo era inesperado. Se Karina tivesse aparecido apenas dias antes, ele poderia ter concordado relutantemente em honrar o noivado. Mas agora, as coisas eram diferentes. Ele já tinha Victoria - a mulher com quem ele acreditava ter compartilhado uma conexão íntima. Ele havia prometido casamento a Victoria e quebrar essa promessa não era uma opção.
"Eu não posso me casar com ela," Ademir declarou firmemente.
O sorriso de Otávio enfraqueceu. "O que você acabou de dizer?"
"Eu já tenho alguém com quem quero me casar," Ademir continuou, seu tom firme e decidido.
"Que absurdo!" A voz de Otávio aumentou, sua raiva palpável. "Como você se atreve? Você sabe o que essa promessa significa? Você não vai me tornar um mentiroso!"
"Desculpe, Vovô, mas eu não posso fazer isso," Ademir disse friamente, seus olhos se voltando para Karina. "Você achou que isso aconteceria?"






